Existem cerca de 50.000 Lions clubes em mais de 200 países e regiões ao redor do mundo - cada um deles marcado pelo lugar ao qual pertence. Não há dois clubes exatamente iguais, e é isso que torna cada um deles tão especial.
Para conferirmos essa diversidade na prática, observamos mais de perto dois clubes em extremos opostos com relação à localização geográfica: um com raízes em um centro urbano movimentado e outro em uma pequena cidade onde todos se conhecem. Embora separados por mais de mil e seiscentos quilômetros, estão conectados pelo mesmo inabalável espírito de servir.
Nos EUA, do charme do norte em Cook, no estado de Minnesota, à agitação da grande cidade de Dallas, no estado do Texas, os Lions Clubs de Cook e Dallas Founder mostram o quão abrangentes e profundamente enraizados podem ser os serviços prestados pelos Leões.

LIONS CLUBE DE COOK
Local: Cook em Minnesota
População: 524
Fundação do clube: 1973
Associados: 90
Clubes patrocinados: Leo Clube de North Woods School | Núcleo do Lions Clube de Tower Soudan Lake Vermilion
Entrevistados: Steve Kajala, Presidente de Clube | Kari Hultman, Secretária e Tesoureira de Clube | Colette Huisenga, Associada do Clube
Como você descreveria o seu clube?
STEVE: Atualmente, temos 84 associados, com idades entre 19 e 87 anos. A comunidade próxima ao lago reforça os nossos números — cerca de 25% dos nossos Leões moram perto do lago, geralmente aposentados ou pessoas que se mudaram para cá a trabalho.

O clube tem uma longa história de atividades. Éramos conhecidos pela nossa “Venda de garagem de um milhão de dólares”, um grande evento que arrecadava cerca de US$ 40.000 por ano, valor que era revertido para a comunidade na forma de bolsas de estudo, doações e muito mais. Mas, em 2017, perdemos o prédio onde realizávamos a venda e, por isso, fomos obrigados a nos reinventar. E então veio a COVID.
Durante a pandemia, nos sustentamos vendendo linguiças, salsichas e hambúrgueres. Após a COVID, nos revigoramos, adicionamos alguns associados mais jovens e nos tornamos mais fortes. E no ano passado, quando a nossa cidade sofreu uma enchente, nos tornamos a central dos trabalhos de recuperação. Isso realmente nos colocou de volta no mapa. E me orgulho muito de como conseguimos nos recuperar. Não apenas sobrevivemos, mas prosperamos.
Conte-me mais sobre a enchente que atingiu a cidade.
STEVE: Em junho passado, choveu entre 17 e 25 centímetros em menos de 12 horas, inundando cerca de 100 casas e empresas. Aproximadamente 40% da cidade ficou debaixo d'água — foi a pior enchente que já vimos.
O nosso clube entrou em ação e se tornou o grupo de apoio principal. Formamos um comitê da enchente e procuramos LCIF para obter ajuda. Em menos de uma hora, recebi resposta informando que nos enviariam US$ 10.000. Com essa verba, compramos suprimentos essenciais. Cerca de 100 voluntários compareceram para nos ajudar a descarregar. Foi um dia bastante especial.
Mas não ficamos por aí. Criamos um fundo para as vítimas da enchente e, no final, arrecadamos mais de US$ 130.000, que revertemos para a comunidade, e criamos uma central de recuperação que forneceu artigos domésticos e móveis gratuitos para os residentes afetados.

Parece que os Leões de Cook são uma presença constante na comunidade.
KARI: Moro a cerca de 50 quilômetros de distância, mas fui muito bem recebida pela comunidade de Cook e pelo Lions clube. Sinto que realmente pertenço a este lugar. Durante nossos trabalhos de recuperação após a enchente, foi incrível ver o quanto nosso clube é respeitado e quantos membros da comunidade nos procuraram em busca de ajuda.
COLETTE: Eu me mudei de volta para a cidade durante a pandemia de COVID-19, depois de ficar longe por 34 anos. No início, foi difícil me reconectar, mas os Leões me ajudaram a me reintegrar. É aquele senso de comunidade de cidade pequena, onde mesmo que você não conheça alguém, sabe tudo sobre ela. E esse sentimento de pertencer faz toda a diferença.
Como você mantém o clube divertido e envolvente?
COLETTE: O Steve organiza ótimas reuniões. Sempre temos uma agenda, e todos podem se expressar. Ele mantém um clima alegre, frequentemente convidando alguém para contar um pouco sobre quem é e sua jornada Leonística. É uma ótima maneira de conhecermos melhor os novos associados.
STEVE: Temos um piquenique no verão e uma festa no fim de ano. Também encontramos pequenas maneiras de tornar as coisas divertidas, como esconder uma palavra-chave nos relatórios do nosso tesoureiro. O primeiro a encontrá-la recebe um prêmio. É uma coisa pequena, mas faz com que as pessoas se envolvam e prestem atenção!
Em que tipos de projetos de serviço o seu clube está envolvido?
STEVE: Há mais de 50 anos, ajudamos muito os programas locais de alimentação e para jovens. Fazemos muitas campanhas de angariação de fundos, como a venda de salsichas e hambúrgueres e o café da manhã comunitário. Também mantemos um parque de bandeiras, organizamos eventos comunitários, como festas de Páscoa e Halloween, e coordenamos o nosso projeto de cobertores feitos à mão. No ano passado, confeccionamos 90 cobertores para residentes de asilos. Embora tentemos honrar as tradições que nos trouxeram até aqui, também adoramos quando as pessoas trazem novas ideias. Nem tudo dá certo e sempre há alguma resistência à mudança, mas tentamos ser abertos.
Quais são as suas estratégias de recrutamento em uma cidade pequena?
STEVE: Convidamos qualquer pessoa que pareça se encaixar bem. Se convidarmos 25 pessoas, talvez uma se associe - é realmente como se fosse um jogo de números. Também realizamos noites de orientação, nas quais explicamos o que significa ser Leão, contamos a história do nosso clube, falamos sobre LCIF e esclarecemos ideias preconcebidas comuns. Por exemplo, algumas pessoas da cidade acham que é preciso ser veterano ou aposentado para se associar. Por isso, fazemos questão de divulgar - por meio de artigos no jornal local e publicações nas mídias sociais - que o Lions é para todos.
COLETTE: E também estamos investindo na próxima geração. Patrocinamos um Leo clube na nossa escola de ensino médio, que costumava ter uns doze alunos. Agora estamos com 72! Isso é muito importante para o nosso crescimento futuro.

Quais tipos de projetos os Leos realizam?
COLETTE: Os Leos são muito ativos. Eles se envolvem em tudo, desde organizar festas de Halloween e eventos para fazer casas de pão de mel até confeccionar cartões do Dia dos Namorados para residentes de asilos. Estão até trabalhando para instalar uma placa decente na nossa escola local para substituir a atual, que foi construída na aula de marcenaria.
Existem desafios como clube de uma cidade pequena?
STEVE: A angariação de fundos é mais difícil. Nas grandes cidades, você pode arrecadar US$ 100.000 em um único dia. Para nós, isso não é possível - não temos uma população. Mas os Lions clubes realmente prosperam nas cidades pequenas porque somos bem conhecidos. As pessoas reconhecem o impacto que causamos e querem nos apoiar.
Que conselho você daria a outros Lions cubes de cidades pequenas ou rurais?
STEVE: Não mantenham o seu sucesso em segredo! Marquem presença nas redes sociais. Certifiquem-se de que as pessoas estejam cientes dos seus próximos eventos e compartilhem muitas fotos do clube atuando.
KARI: Eu diria para realizar eventos de serviços voltados para a família e convidar o público a participar. A melhor maneira das pessoas conhecerem o seu clube é prestando serviços com você.
COLETTE: E eu acrescentaria: trabalhem com o distrito escolar local para patrocinar um Leo clube. É uma ótima maneira de envolver os jovens em serviço comunitário. Também é uma chance de apresentar os pais dos Leos ao Lions clube.

LIONS CLUBE DE DALLAS FOUNDER
Local: Dallas no Texas
População: 1,3 milhões
Fundação do clube: 1916
Associados: 79
Entrevistados: Jeff Strater, Presidente de Clube | Keith Murray, Tesoureiro de Clube, Ex-Governador de Distrito | Dra. Nia MacKay, Ex-Presidente de Clube Imediata, Segunda Vice-Governadora de Distrito
O Lions clube de Dallas Founder existe há muito tempo. Fale-me sobre o clube.
NIA: Somos o clube mais antigo do Distrito 2-X1. Alguns dos nossos primeiros associados participaram da reunião de formação de Lions Clubs International realizada em Dallas, em outubro de 1917.
Hoje, somos um grupo de Leões de todas as origens — diferentes idades, profissões e vivências — que compartilham a paixão por servir ao próximo. Nos reunimos duas vezes por mês para manter contato e planejar serviços. As nossas reuniões geralmente incluem oradores convidados que conduzem conversas sobre questões que sejam importantes para nós e se alinhem com as causas apoiadas por Lions International. Além das reuniões, realizamos projetos de serviço que promovem mudanças reais em âmbito local e global.

O que a atraiu para esse clube em particular?
NIA: Há alguns anos, como presidente de divisão, vi que o Dallas Founder estava lutando com apenas cinco associados ativos. Eu sabia que não poderíamos nos dar ao luxo de perder o clube mais antigo do norte do Texas. Então, trabalhei mais um ano como presidente de divisão e depois me associei ao clube.
Tenho orgulho de dizer que hoje temos 79 associados - e estamos crescendo! O nosso trabalho colaborativo com universidades, igrejas e grupos comunitários, bem como os nossos esforços de marketing, liderados pelo Jeff, realmente nos ajudaram a reestruturar esse clube histórico.
Como é a cultura do clube?
KEITH: Somos extremamente diversificados - os nossos associados têm idades entre 18 e 90 anos. É um clube muito acolhedor. Reconhecemos os associados nas reuniões, comemoramos as contribuições e promovemos um forte vínculo social.
JEFF: Também adicionamos uma série de happy hours e temos uma grande participação em eventos sociais e de serviço. Parece uma comunidade muito unida, apesar de estarmos em uma cidade grande.
Como vocês recrutam novos associados em um ambiente urbano competitivo?
JEFF: O boca a boca é fundamental, porque convidamos pessoas de acordo com interesses em comum. Também foi útil limitar nossa atuação a uma determinada área - a maioria das pessoas que recrutei mora a menos de dez quilômetros do local das reuniões. E, é claro, promovemos os nossos projetos de serviço e oradores nas mídias sociais e convidamos as pessoas a participarem conosco.
NIA: Também seguimos a abordagem de “DNA” elaborada por um dos nossos associados. "D" é de database (banco de dados em inglês) - entramos em contato com conexões de outras organizações. "N" é de networking (rede de contatos em inglês) - conversamos com novas pessoas em todos os lugares. E "A" é de Ask (convidar em inglês) - não se consegue associados se não os convidar. Conseguimos associados apenas convidando os oradores a se associarem depois de terem feito uma apresentação para nós.
Parece que vocês elaboraram um programa de oradores bastante consistente. Poderia falar mais sobre ele?
NIA: Sim! Convidamos oradores de diferentes ramos — ciência, saúde, tecnologia etc. — que se encaixem nos interesses dos associados. Isso ajuda a recrutarmos e conservarmos associados. Um dos nossos próximos oradores criou óculos com inteligência artificial que ajudam as pessoas com deficiência visual. Isso encaixa-se perfeitamente com os 100 anos de serviço oftalmológico dos Leões.
Conte-me mais sobre a sua parceria com a faculdade comunitária local.
JEFF: Um dos grandes benefícios de realizarmos as reuniões no centro no campus da faculdade comunitária é o sólido relacionamento que formamos com a instituição. Vários funcionários até se associaram ao nosso clube.

Quando o reitor da faculdade nos contou que quase 98% dos alunos recebem o Pell Grant (auxílio federal para estudantes de famílias de baixa renda), vimos a oportunidade de implementar uma de nossas clínicas oftalmológicas. Os alunos fizeram fila no saguão do campus para os exames oftalmológicos, que incluíam exame com um optometrista. Algumas semanas depois, voltaram para pegar os óculos de grau gratuitos. O projeto serviu para lembrar o que pode acontecer quando você está presente e conectado à sua comunidade.
Como você consegue manter a experiência no clube agradável e os associados interessados?
JEFF: O nosso clube sempre gostou de socializar. As pessoas realmente gostam da companhia umas das outras. Apostamos nisso com a nossa série mensal de happy hours. Tem sido uma ótima maneira dos associados se conectarem fora das reuniões ordinárias. As pessoas chegam cedo apenas para colocar o papo em dia e ficam por lá depois das reuniões. Também organizamos eventos festivos e encontros divertidos ao longo do ano para promover esse espírito de comunidade.

KEITH: Também gostamos de reconhecer os associados que participam de projetos de serviço. Nas nossas reuniões, fazemos uma rápida recapitulação das realizações recentes e pedimos aos associados que estiveram envolvidos nessas atividades que se levantem. Eles recebem uma salva de palmas, e é uma boa maneira de demonstrar apreço. Trata-se de garantir que as pessoas se sintam vistas e valorizadas pelas suas contribuições.
Quais são alguns dos desafios de ser um clube de cidade grande?
JEFF: Admito que às vezes sinto um pouco de inveja dos clubes de cidades pequenas. Eles tendem a ter relacionamentos sólidos com os governos das cidades e a sua presença é mais facilmente reconhecida. As pessoas veem os coletes, as placas, os projetos de serviço. Em uma cidade grande como Dallas, com tantos grupos e organizações, esse tipo de exposição orgânica é mais difícil de conseguir.

NIA: E, embora seja verdade que é mais difícil se destacar em uma cidade grande como a nossa, há mais oportunidades para firmar parcerias. Nem todo clube ou organização tem recursos para assumir um grande projeto sozinho. Mas quando colaboramos — seja com outros Lions clubes ou outras organizações — podemos unir nossos esforços, dividir os custos e causar um impacto maior juntos. E essa é uma grande vantagem.
Que conselho você daria a outros clubes de áreas urbanas?
NIA: Eu diria que a colaboração é essencial. Elabore uma estratégia para construir relacionamentos — seja com a faculdade mais próxima, com a prefeitura ou com uma organização sem fins lucrativos. E trabalhe junto com outros grupos.
KEITH: Sim, aproveite o que a cidade tem a oferecer em termos de diversidade cultural, instituições e parcerias que você talvez não encontre em cidades menores.
Jenny Maxse é editora sênior da Revista LION.